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Archive for the ‘História’ Category

O Scarborough Fair foi um importante evento comercial durante a Alta Idade Média.  Realizado na cidade costeira de Scarborough, Inglaterra, iniciava-se em 15 de agosto e sua duração era de 45 dias, atraindo vendedores de diversas localidades e também artistas.

A canção com o mesmo nome conta a história de um homem desafiado por sua amada a realizar uma série de difíceis tarefas, como fazer uma camisa sem costura e lavá-la em um poço seco. O prêmio para a realização dessas tarefas impossíveis seria ter seu amor de volta.

O tema das tarefas impossíveis desafiadas pela jovem cortejada é muito comum na literatura e na música medievais.

No vídeo, a atriz e cantora britânica Amy Nuttall canta Scarborough Fair.

(Imagem: Castelo de Scarborough)

Are you going to Scarborough Fair?
Parsley, sage, rosemary and thyme,
Remember me to one who lives there,
He once was a true love of mine.
Tell him to make me a cambric shirt,
Parsley, sage, rosemary and thyme,
Without no seam nor needle work,
Then he’ll be a true love of mine.
Tell him to find me an acre of land,
Parsley, sage, rosemary and thyme,
Between the salt water and the sea strand,
Then he’ll be a true love of mine.
Tell him to reap it with a sickle of leather,
Parsley, sage, rosemary and thyme,
And to gather it all in a bunch of heather,
Then he’ll be a true love of mine.
Are you going to Scarborough fair?
Parsley, sage, rosemary and thyme,
Remember me to one who lives there,
He once was a true love of mine.

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Joanna D’Arc

A França, nas primeiras décadas do século XV, era praticamente uma terra arrasada. Sua população ainda sofria as conseqüências da Grande Peste do século anterior. Seu rei, Charles VI, tinha surtos de insanidade. O rei inglês Henry V encontrou neste caos tenebroso uma oportunidade, e invadiu a França. Suas principais cidades ao norte foram ocupadas pelos ingleses, incluindo Paris.

Enquanto isso, uma jovem camponesa de nome Joanna teve visões. São Miguel, Santa Catarina e Santa Margarete indicaram seu destino: reconduzir o trono às mãos de um francês, Charles VII. Joanna buscou audiência com Charles VII e lhe propôs a condução de um exército, para que os ingleses e os burgúndios, seus apoiadores, fossem derrotados.

Charles VII impressionou-se com a determinação daquela jovem de apenas 16 anos. Joanna passou a liderar um exército que obteve importantes vitórias junto aos ingleses e burgúndios. Porém em maio de 1430 foi capturada e julgada por heresia.

Em seu julgamento, durante o ano de 1431, Joanna mostrou uma capacidade de raciocínio e inteligência admiráveis. Mas o peso de decisões políticas influenciou a decisão final da corte, e Joanna foi condenada. Em 30 de maio de 1431, com apenas 19 anos, foi queimada viva em praça pública, e suas cinzas espalhadas pelo Rio Sena.

Duas décadas depois o Papa Calixto III reabriu o processo, a pedido do Inquisidor-Geral e da própria mãe de Joanna, Isabelle Romée. Concluindo que a jovem foi vítima de disputas políticas seculares, a corte descreveu-a como uma mártir e declarou sua inocência em 1456.

Joanna D’Arc foi canonizada em 1920 pelo Papa Bento XV. Sua data oficial é o 30 de maio. Ela é considerada a patronesse dos soldados, e uma das patronesses da França.

No vídeo, cenas de “Joan of Arc”, de 1999, estrelada por Leellee Sobieski, Jacqueline Bisset e Peter O’Toole.

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Em 1688, James Stuart II, católico e rei da Inglaterra, Escócia e Irlanda, e sua Rainha Mary tiveram um filho. Até então o trono estava garantido à sua filha Mary, protestante e casada com o rei holandês William, da Casa de Orange. Mas agora tudo mudava: havia a possibilidade de uma dinastia católica na Inglaterra.

Contudo os protestantes reagiram. William mobilizou as tropas holandesas, invadiu a Inglaterra e iniciou a Revolução Gloriosa. Os Stuarts deixaram o país, com William e Mary assumindo o trono. James, de seu exílio na porção católica da Irlanda, organizou um exército (cujos membros foram denominados Jacobitas, ou os restauradores de “Jacobus”, a forma em latim do nome James) e iniciaram uma revolta contra o que viam ser um coup d’etat em seu país. Mais uma vez derrotado por tropas comandadas pelo próprio William, James fugiu em definitivo para a França. Após abandonar à própria sorte as tropas irlandesas, James passou a ser conhecido naquele país como Séamus an Chaca, ou “James, o Cagão”…

Siúil A Rúin é uma das mais tradicionais canções da Irlanda, e fala sobre os Jacobitas que lutaram a Revolução Gloriosa. Seu refrão foi composto em gaélico, uma língua celta irlandesa:

    Siúil, siúil, siúil a rúin (Shule, shule, shule aroon,)

    Siúil go socair agus siúil go ciúin (Shule go succir agus, shule go kewn,)

    Siúil go doras agus ealaigh liom (Shule go dheen durrus oggus aylig lume,)

    Is go dtéann tú mo mhuirnín slán (Iss guh day thoo avorneen slawn.)

Em uma tradução para o inglês,

    Come, come, come, O love,

    Quickly come to me, softly move;

    Come to the door, and away we’ll flee,

    And safe for aye may my darling be!

No vídeo, uma versão atual de Cécile Corbel para Siúil A Rúin:

I wish I were on yonder hill
and there I’d sit and I’d cry my fill
and ev’ry tear would turn a mill,
and a blessing walk with you, my love

I’ll sell my rod, I’ll sell my reel
I’ll sell my only spinning wheel
To buy my love a sword of steel
And a blessing walk with you, my love

Siuil, siuil, a ruin
Siuil go sochair agus siuil go ciuin
Siuil go doras agus ealaigh liom
Is go dte tu mo mhuirnin slan

I wish, I wish, I wish in vain
I wish I had my heart again,
And vainly think I’d not complain
And a blessing walk with you, my love

But now my love has gone to France
To try his fortune to advance.
If he e’er comes back, it’s but a chance
And a blessing walk with you, my love

Imagem: King James Stuart II; Wikipedia Commons

Tradução da letra: http://www.extrasolar.net/CLANNAD/song.asp?SongId=131

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Mary Read nasceu na Inglaterra em aprox. 1690, como a filha da viúva de um capitão. Criada como um garoto, ainda em sua adolescência passou a integrar um Batalhão de Infantaria, lutando com bravura. Mais tarde passou a integrar um Regimento de Cavalaria, quando se apaixonou por um soldado belga. Infelizmente o soldado foi morto em batalha, e Mary, de volta às roupas masculinas, tornou-se marinheira.

Em uma viagem para as Índias Ocidentais, o navio de Mary foi abordado por um barco pirata, o Revenge, comandado pelo corsário “Calico Jack” Rackham. Quis assim o destino que aquele barco também trouxesse a piarata inglesa Anne Bonny, que imediatamente se interessou por aquela nova figura. Ordenou que fosse levado aos seus aposentos, mas para sua surpresa, Mary abriu sua blusa e relevou seus dotes femininos. Ganhando sua confiança, Mary confessou a Bonny que preferia ser uma pirata a enfrentar a entediante realidade das mulheres da época, e juntou-se a eles.

Por volta de 1720 Mary apaixonou-se novamente, desta vez por um jovem corsário. Mas ele desentendeu-se com um colega mais velho, e sob as leis dos mares, foi chamado ao duelo. Mary percebeu que seu amado não teria a menor chance, e desafiou o velho pirata a um duelo imediato.

Mary era habilidosa com a espada, mas seu oponente assumiu vantagem. Porém, de súbito, Mary abriu sua blusa. O corsário distraiu-se com a visão dos seios de Mary, e ela lhe desferiu um golpe fatal. Salvos de uma morte certa, Mary e seu jovem amado casaram-se em seguida.

Sua lua-de-mel, contudo, foi breve. Mary, Bonny e Calico Jack foram presos e trazidos à Jamaica. Foram julgados e condenados à forca. Mas mesmo durante o julgamento Mary manteve sua dignidade corsária. Perguntada sobre o que levaria uma jovem mulher à vida pirata, ela respondeu:

– Sobre a forca, não há o que temer. Pois se não fosse assim, todos os covardes se tornariam piratas e infestariam os mares, deixando os homens de coragem morrendo de fome.

(imagem: Wikimedia Commons;
informações: http://blindkat.hegewisch.net/pirates/whosmary.html )

No vídeo, a cantora bretã Cécile Corbel interpreta Mary.

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17 de Março é o dia nacional da Irlanda, o Dia de São Patrício.

Nascido na Escócia em 387 d.C., Patrício foi capturado como escravo e levado à Irlanda, ainda uma nação celta e pagã.

Trabalhou com pastor de ovelhas, antes que pudesse escapar e voltar à Escócia. Lá Patrício ordenou-se junto à Igreja Católica, e após ser nomeado bispo, retornou à Irlanda para realizar pregação religiosa. Desta forma, São Patrício representa a vitória da Igreja Católica sobre o paganismo celta.

Desde o século XVII o 17 de Março passou a fazer parte do calendário litúrgico cristão, e tornou-se uma data nacional irlandesa. A cor verde e o trevo de 3 folhas, representando a Santíssima Trindade, tornaram-se seus símbolos.

Hoje, o Dia de São Patrício é uma festa secular, celebrada em diversos lugares do mundo onde podem ser encontradas comunidades irlandesas, como os EUA, Canadá e até mesmo a Argentina.

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A Princesa Moura

Segundo o folclore português, as mouras encantadas são espíritos de donzelas, destinadas a servirem de sentinelas de tesouros escondidos, enquanto seu encanto não for quebrado.
Uma das mais famosas e belas lendas é a de Suleima, a Princesa Moura; uma bela muçulmana que se apaixona por um cavaleiro português. No puro vernáculo da amiga Fernanda a história fica ainda mais interessante:

Junto a duas azinheiras que ainda existem perto do Castelo Velho, que foi em tempos uma antiga fortaleza islâmica, vive uma moura encantada, transformada em serpente que guarda um tesouro…

No tempo do Rei D.Sancho II (1240) o castelo terá sido conquistado aos mouros por D.Rui Gomes, de forma pacífica. Aí encontrou o ex-Alcaide mouro e a sua sobrinha Zuleima, prometida ao jovem mouro Hassan que fugira para não assistir à derrota.

D. Rui e Zuleima apaixonaram-se e foram felizes durante algum tempo. Certo dia, o cavaleiro português, convencido de que se ia encontrar com um mensageiro do Rei, foi levado a uma emboscada e apunhalado pelo próprio Hassan.


O mouro levou Zuleima no seu cavalo e foi perseguido por quatro soldados. Os dois acabaram por ser mortos ao pé das duas azinheiras.

Diz a lenda que ainda há quem oiça o soluçar da Moura Zuleima, chorando o seu amado Rui. Conta-se que, em noites de lua cheia, ela se transforma numa linda jovem e, em cima da azinheira, penteia os seus longos cabelos, à luz do luar…

Fonte: Na Quinta do Rau (http://naquintadorau.blogspot.com)
imagem: Praça D’Alandra – http://dalandra.com

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Há pouco, no “The History Channel”, foi exibido um especial sobre a obra de Miguel de Cervantes, “Dom Quixote”.

O cavaleiro Dom Quixote é um símbolo de nossa luta contra o real, de nossas tentativas (às vezes ingênuas) de “restaurar” a ordem das coisas de acordo com nossas idéias.

Dom Quixote de la Mancha e seu escudeiro Sancho Panza saem pela Espanha, ao acender das luzes do século 17, tentando resgatar a glória e a honra do cavaleiro medieval. Mas Quixote acaba mesmo é sendo golpeado por moinhos. Obra magistral de um autor pouco reconhecido em sua época, mas que mantém sua atualidade. 


(almanaq, 17/10/2005)

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